Há um ano estava a comprar mais uma máquina de cápsulas. Foi assim que acabei a desenhar no meu café todas as manhãs.
Estamos em 2025 e acabei de comprar uma máquina de cápsulas. Outra vez. Super moderna, com uma dúzia de sabores à escolha. E continuo insatisfeito.

Ouço falar de café de especialidade. Um vídeo do James Hoffmann transforma-se em vinte. Que mundo tão bonito eu andava a perder. Está na hora de fazer café a sério, e a primeira lição: o café tem de ser moído na hora.

Compro The World Atlas of Coffee e leio-o todas as noites antes de dormir. Torna-se o meu momento de descanso: aprender sobre origens e processos, e ver fotografias de cafeeiros e das pessoas que os cultivam e colhem.

O meu primeiro equipamento: uma AeroPress e um moinho manual. Tão simples, e mesmo assim a chávena é doce e limpa.

Afinal há a 7G perto de minha casa, em Gaia. É lá que me apaixono pelo café da Etiópia.

Agora preciso de uma receita que dê para duas chávenas, por isso compro o Clever Dripper. Começar no filtro é fácil: a minha chaleira de sempre serve perfeitamente. Não é preciso um setup de V60 todo xpto.

Ainda tenho 200 cápsulas para a minha máquina publicitada pelo George Clooney. Por isso, enquanto vou bebendo café de cápsula amargo, queimado e caro, começo a aprender sobre espresso.
É aí que o YouTube me mostra o Lance Hedrick. Uau, este tipo leva mesmo o café a sério.
Calma lá. Eu conheço o Lance. Treinámos jiu-jitsu juntos no Porto. Era o pesado com quem ninguém queria lutar. O mundo é pequeno.
Compro a minha Sage Bambino Plus, um moinho DF54 e ferramentas e acessórios da Normcore. Agora é a vez do espresso e dos lattes.

No Natal recebo um workshop de espresso e latte art. Agora desenho no meu café. Na maior parte das vezes é uma tulipa. Outras vezes são simplesmente pilas. Tão divertido.

O café passou de um botão que eu carregava a algo por que anseio todas as manhãs. Agora posso partilhar isso com outras pessoas. Se ainda estás nas cápsulas, eu já lá estive.